Compreender o comportamento humano e das empresas nos modelos econômicos contemporâneos (como fizemos, respectivamente, nas newsletters de e de ) exige a integração das Teorias Clássicas de Coordenação com a emergente Teoria dos Ecossistemas de Negócios, e, por decorrência, para a nossa TEI – Teoria da Economia Informacional.
Enquanto a coordenação tradicional se concentra na dicotomia mercado-hierarquia, a perspectiva do ecossistema introduz uma "terceira via" de organização, onde a cooperação e a interdependência transcendem os limites da empresa individual. Vejamos, então, resumidamente, os principais aspectos desta literatura.
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Do Conhecimento de Richardson às Capacidades do Ecossistema
George Richardson [1] lançou as bases para a ideia de que a indústria se organiza através de atividades complementares que exigem cooperação. Esta tese é o precursor direto da visão de C. K. Prahalad e Gary Hamel [2] sobre as "competências essenciais", onde a empresa não é apenas uma coleção de ativos, mas um portfólio de capacidades. Em ecossistemas, conforme proposto por James F. Moore [3] e expandido por Marco Iansiti e Roy Levien [4], a coordenação de Richardson se expande para uma "comunidade econômica" onde o sucesso de uma empresa (a pedra angular) depende da saúde de seus complementadores. Aqui, o comportamento da empresa é moldado pela necessidade de coevolução, em vez de competição isolada.
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De Williamson aos Ecossistemas como Estrutura
Oliver Williamson [5] definiu a empresa como uma resposta aos custos de transação. No entanto, autores como Michael G. Jacobides [6] e Ron Adner [7] argumentam que os ecossistemas representam uma forma distinta de governança. Jacobides propõe que a modularidade permite que organizações independentes coordenem sem a necessidade de hierarquia formal (fiat), reduzindo os custos de transação através de interfaces padronizadas. Adner complementa essa visão definindo o ecossistema como uma estrutura de alinhamento de parceiros que devem realizar uma proposta de valor conjunta. Assim, o comportamento humano é mediado por incentivos de alinhamento, e a empresa atua como um nó em uma rede de valor estruturada.
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De Choudary à Coordenação Digital em Grande Escala
Sangeet Paul Choudary [8], por sua vez, introduz a Inteligência Artificial - IA como o mecanismo que reduz os custos de tradução, permitindo a "coordenação sem consenso". Essa visão se conecta diretamente ao trabalho de Scott T. Davis et al. [9], que definem ecossistemas como associações dinamicamente coevolutivas e frouxamente acopladas. A tecnologia de IA atua como a "camada invisível" que permite que a fragmentação descrita por Choudary seja gerenciada com a agilidade exigida pelos ecossistemas modernos. A coordenação muda de um esforço de alinhamento manual (como em Moore) para um processo automatizado de sincronização de fluxos de dados entre ferramentas heterogêneas.
Síntese: Integração de Teorias e Autores
A tabela abaixo relaciona os pilares da coordenação econômica com os principais expoentes da teoria dos ecossistemas:
| Pilar da Coordenação | Autores da Coordenação | Autores do Ecossistema | Conceito Integrador |
|---|---|---|---|
| Capacidade | George Richardson | Prahalad & Hamel; Teece | Coevolução de Capacidades: A coordenação é baseada em competências complementares que evoluem juntas. |
| Estrutura | Oliver Williamson | Jacobides; Adner; Moore | Governança Modular: O ecossistema substitui a hierarquia por estruturas de alinhamento e modularidade. |
| Tecnologia/IA | Sangeet Paul Choudary | Davis, Suzuki & Sasaki; Iansiti | Sincronização Digital: A IA reduz os custos de tradução, permitindo que associações frouxamente acopladas operem como um todo. |
Conclusão para a TEI
Para um modelo que revela o comportamento humano e das empresas, a síntese entre coordenação e ecossistemas sugere que:
- Comportamento Humano: É guiado pela racionalidade limitada, mas expandido por mecanismos de alinhamento e ferramentas de tradução (IA) que facilitam a cooperação em larga escala.
- Comportamento da Empresa: A empresa muda de buscar apenas a minimização de custos internos para buscar um posicionamento estratégico em ecossistemas, onde a eficiência é medida pela capacidade de orquestrar recursos externos e integrar fluxos de informação fragmentados.
Uma questão relevante, e que também diz respeito à coordenação econômica, combina a redução dos custos de tradução de Choudary com a redução dos custos de verificação de transações de Catalini [10], e tem um impacto sinérgico importante para a velocidade e para a liquidez das transações econômicas. Mas isto fica para a próxima newsletter!
Se sua empresa, organização ou instituição desejar saber mais sobre coordenação econômica e ecossistemas de negócios, não hesite em nos contatar!
Referências
- Richardson, G. B. (1972). The Organisation of Industry. The Economic Journal.
- Prahalad, C. K., & Hamel, G. (1990). The Core Competence of the Corporation. Harvard Business Review.
- Moore, J. F. (1993). Predators and Prey: A New Ecology of Competition. Harvard Business Review.
- Iansiti, M., & Levien, R. (2004). The Keystone Advantage. Harvard Business Press.
- Williamson, O. E. (1989). Transaction Cost Economics. Handbook of Industrial Organization.
- Jacobides, M. G., Cennamo, C., & Gawer, A. (2018). Towards a theory of ecosystems. Strategic Management Journal.
- Adner, R. (2017). Ecosystem as Structure: An Actionable Construct for Strategy. Journal of Management.
- Choudary, S. P. (2026). AI’s Big Payoff Is Coordination, Not Automation. Harvard Business Review.
- Davis, S. T., Suzuki, S., & Sasaki, H. (2020). Business Ecosystems. Encyclopedia of Sustainable Management.
- Catalini, C. (2018). Antitrust and Costless Verification. MIT Initiative on the Digital Economy. Available at: https://ide.mit.edu/wp-content/uploads/2018/07/SSRN-id3199453.pdf
