Na série de newsletters Nem liberalismo nem desenvolvimentismo: uma visão informacionista do avanço (ou progresso) socioeconômico, publicadas em , , , , 09/12/2024, e , argumentamos em defesa de uma “visão informacionista” do avanço (ou progresso) socioeconômico. Hoje, depois de uma análise detalhada de quase vinte anos de newsletters da Creativante (1), estamos posicionados para tentar defender uma “Teoria da Economia Informacional”, e com ela, suas “7 (sete) Leis Fundamentais”, dentre outras questões formais.
A Teoria da Economia Informacional, como visto à frente, é a resultante do acúmulo dos trabalhos de gigantes da Teoria Econômica, tais como aqueles iniciados pelo economista austríaco Friedrich Hayek (Prêmio Nobel de Economia de 1974), marcadamente por seus artigos “Economics and Knowledge”, de 1937, e “The Use of Knowledge in Society”, de 1945.
Some-se a estes, aqueles que deram origem ao que hoje é conhecido como a “Economia da Informação”, área de tratamento da Ciência Econômica que veio a ganhar domínio específico a partir das contribuições dos Professores George Stigler nos anos 1960s (Prêmio Nobel de Economia de 1982), George Akerlof, Michael Spence e Joseph Stiglitz nos anos 1970s (Prêmios Nobel de 2001), os quais foram fundamentais na nova compreensão do papel da informação na economia a partir de uma noção elementar: um lado do mercado tem melhor informação do que o outro lado.
Além destes, agregamos aqueles trabalhos que hoje estão associados â “Economia dos Ativos de Informação/Ativos Digitais”, novo ramo da Economia que lida com o impacto das novas tecnologias de informação e comunicação - TICs em suas diversas dimensões, e que estão diretamente relacionados aos pioneiros trabalhos dos Professores Hal Varian e Carl Shapiro, especificamente os dos livros intitulados “Information Rules: A Strategic Guide to the Network Economy”, de 1998, e “The Economics of Information Technology: An Introduction”, de 2004.
Indo direto ao ponto, a Teoria da Economia Informacional é o estudo de como infraestruturas informacionais, digitais e financeiras organizam a produção, a coordenação econômica e a liquidez no sistema econômico global. A teoria parte da ideia de que a economia moderna não é apenas um sistema de mercados, mas um sistema de infraestruturas interconectadas. Essas infraestruturas incluem: redes digitais; plataformas de software; sistemas financeiros e a arquitetura monetária global.
Sua Hipótese Central (ou proposição fundamental) é a de que a coordenação econômica contemporânea ocorre principalmente através de infraestruturas informacionais que organizam fluxos de informação, transações e liquidez. Ou seja: i) informação organiza produção; ii) plataformas organizam mercados; e, iii) sistemas financeiros organizam liquidez.
E qual é a sua Estrutura do Sistema Econômico? A Economia Informacional propõe que o sistema econômico possui 5 (cinco) camadas estruturais, a saber:
Camada 1- Infraestrutura Digital
Componentes: redes de comunicação; data centers; computação em nuvem; e software. Sua função econômica: processamento e circulação de informação.
Camada 2 – Plataformas e Ecossistemas
Componentes: plataformas digitais; marketplaces, e ecossistemas de desenvolvedores e outros papeis. Sua função econômica: coordenação de atividades econômicas. As plataformas funcionam como arquiteturas institucionais privadas.
Camada 3 – Sistemas Complexos
Componentes: interdependência, não linearidade, efeitos de rede e risco sistêmico. Sua função econômica: organização dinâmica da economia como sistema adaptativo complexo.
Camada 4 – Infraestrutura Financeira
Componentes: sistemas de pagamento; mercados financeiros; redes bancárias e colateral (garantias) e clearing (compensações). Sua função econômica é a circulação de liquidez e financiamento.
Camada 5 – Arquitetura Monetária Global
Componentes: moedas de reserva; bancos centrais, mercados globais de liquidez, e ativos monetários digitais. Sua função econômica é a estabilização e expansão da liquidez global.
Os Conceitos Fundamentais da Teoria da Economia Informacional são: i) Arquitetura: é a estrutura institucional que organiza interações (exemplos: arquitetura de software, arquitetura financeira, e arquitetura monetária); ii) Infraestrutura: compõe-se dos sistemas que tornam possíveis interações econômicas em grande escala; iii) Liquidez: é a capacidade de converter ativos em meios de pagamento sem perda significativa de valor. Na teoria a liquidez funciona como energia do sistema financeiro; iv) Ecossistema: constitui a rede de agentes interdependentes coordenados por plataformas.
Como se manifesta a Dinâmica Econômica? A Economia Informacional descreve a dinâmica econômica como a interação entre 03 (três) fluxos principais: i) Fluxo de Informação: circula através de redes digitais e plataformas; ii) Fluxo de Coordenação: organizado por plataformas e protocolos tecnológicos; iii) Fluxos de Liquidez: circula através de sistema financeiro, bancos centrais, e mercados globais.
Qual seria a Representação do Modelo? Podemos representar a Teoria da Economia Informacional da seguinte forma (as setas são marcos determinantes):
INFORMAÇÃO (redes digitais) ➔ COORDENAÇÃO (plataformas e ecossistemas) ➔ SISTEMAS COMPLEXOS (interdependência econômica) ➔ LIQUIDEZ (infraestrutura financeira) ➔ ARQUITETURA MONETÁRIA GLOBAL (bancos centrais e moedas)
Qual seria a relação da Teoria da Economia Informacional com outras escolas econômicas? A relação seria a apresentada a seguir:
| Escola | Relação com a Economia Informacional |
|---|---|
|
economia schumpeteriana |
inovação tecnológica |
|
economia institucional |
papel das instituições |
|
economia da informação |
papel da informação |
|
economia de redes |
efeitos de rede |
|
macrofinanças |
liquidez global |
A Economia Informacional pode ser vista como uma síntese desses campos.
Em síntese, a Economia Informacional propõe que a economia moderna é uma arquitetura de redes digitais e financeiras que coordenam informação, produção e liquidez em escala global. Esta abordagem desloca o foco da economia tradicional de preços e mercados para infraestruturas, redes e arquitetura sistêmica.
Na próxima newsletter apresentaremos como a Economia Informacional pode ser formalizada por um conjunto de leis estruturais que descrevem como sistemas econômicos baseados em informação, redes digitais e plataformas evoluem.
Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre a Teoria da Economia Informacional, não hesite em nos contatar.
- A análise contou com a ajuda das seguintes ferramentas de IA: ChatGPT, Gemini, Grok, Perplexity, e Claude.
