Confirmando a trajetória da Carta Creativante, inaugurada ao final de 2023, estamos terminando o ano de 2025 e, ao mesmo tempo, preparando-nos para 2026, com um mix de expectativas que tendem mais para um cenário alvissareiro.
Começando com uma rápida retrospectiva de 2025, e partindo do contexto internacional, iniciamos o ano na expectativa do que seria o novo Governo Trump. E para entender o que seria a “Trumponomics” (a economia do governo Trump), elaboramos três newsletters (publicadas respectivamente em ; ; e ), onde investigamos os principais fundamentos de sua política econômica.
Não fizemos uma análise aprofundada (aqueles mais interessados podem encontrar tanto trabalhos críticos, como este aqui, organizado pelo Center for Economic Policy Research, quanto aqueles que fazem a defesa do governo, tais como o think tank America First Policy Institute (AFPI), ou mesmo de membros do governo, tal como este instigante artigo do Secretário do Tesouro, Scott Bessent).
Nossa avaliação é a de que o Presidente Trump tem cumprido os compromissos de sua agenda econômica de campanha, particularmente no que diz respeito aos avanços em tecnologia e inovação (e marcadamente na temática que nos é muito cara, como a das Finanças Digitais), e tem sido um personagem quase que onipresente no complexo palco da geopolítica internacional.
Uma questão que tem ocupado “corações e mentes” mundo afora é se estamos vivenciando, ou não, uma “bolha financeira” internacional. E tal comportamento não é sem razão; os mercados financeiros (principalmente nos EUA) não pararam de atingir altas históricas. No entanto, indicadores da economia real apontam que o dinamismo financeiro não tem se expressado no restante da economia.
O termo “bolha de tudo” emergiu e foi usado para descrever o período entre 2020 e 2022, quando as políticas dos bancos centrais (particularmente a de afrouxamento quantitativo pelo Federal Reserve dos EUA, pelos Bancos Centrais Europeus e pelo Banco do Japão) levaram a uma ampla inflação de preços de ativos cobrindo ações, mercado imobiliário, títulos, commodities e criptomoedas. Este período foi caracterizado por taxas de juros ultrabaixas e massivos estímulos monetários, os quais muitos historiadores financeiros argumentaram haver criado um ambiente insustentável.
A bolha foi amplamente considerada como tendo sido estourada em 2022, à medida que os bancos centrais apertaram as condições financeiras através de subidas de juros e aperto quantitativo, levando a um declínio sincronizado em preços de ativos.
Entretanto, no final do corrente ano, a situação parece estar diferente. Análises recentes sugerem que enquanto há bolsões de sobrevalorização – particularmente em setores como os de inteligência artificial e tecnologia – estes não indicam uma bolha de mercado sistêmica. O mercado de ações estadunidense tem mostrado forte desempenho, mas isto tem sido guiado mais por crescimento dos lucros do que por expansões múltiplas insustentáveis. Além disso, alguns indicadores, que são frequentemente usados para sugerir comportamento especulativo, permanecem relativamente subjugados quando comparados com períodos de bolhas passadas.
Sendo assim, e como defendemos em duas recentes newsletters (as de e de ), dado o grau de risco e incerteza que estamos vivenciando no cenário internacional, temos que compreender com mais profundidade as noções ruído e de sinal nas informações que nos cercam, considerando como os contextos para tomadas decisões impactam nossos comportamentos, o que, em última instância pode aumentar ou degradar a acurácia de nossas decisões.
E como tal contexto internacional afeta a economia do nosso país? Infelizmente somos forçados a repetir o que frisamos tanto na Carta Creativante 2023/2024 quanto na Carta Creativante 2024/2025, quando apoiamos a tese de que infelizmente “não aprendemos com os erros”! Neste prisma, somos impelidos a reproduzir, mais uma vez, o editorial do Brazil Journal de , intitulado “Esta crise é uma escolha pública”. Nas próprias palavras do editorial: “Nesta gradual, incessante e desnecessária destruição de riqueza por que passa o Brasil do Governo Lula, duas coisas chamam a atenção. Primeiro, a suposta incapacidade do Planalto de entender que sua política fiscal é um tiro na cara, pois vai gerar apenas inflação e juros altos na segunda metade do mandato presidencial”. E a segunda coisa a chamar a atenção é: “... é a falta de lideranças no Congresso e na sociedade capazes de agir como os adultos na sala.”.
A única, e principal, nota positiva que podemos indicar, é que em 2026 nós teremos uma oportunidade singular de poder mudar este estado de coisas, através de uma escolha pública, como é a das eleições gerais que ocorrerão ao final do ano que se inicia!
Em resumo, temos muito a fazer pela frente! No balanço geral, existem grandes desafios a serem vencidos, mas também há grandes oportunidades a serem abraçadas!
Logo, gostaríamos mais uma vez de manifestar aos nossos leitores, clientes, parceiros e colaboradores, nossos sinceros votos de Muita Saúde, Boas Festas, e um 2026 repleto de oportunidades!
